Pesquisar este blog

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Bolsonaro e Araújo: querem que Hitler desenhe?




Em 2017, Dinesh D'Souza, intelectual conservador conhecido nos EUA, porém de origem indiana, e que já foi preso por ter cometido fraude eleitoral, lançou um livro em que alegava expor as "raízes nazistas da esquerda americana".  




E, ainda em 1944, Ludwig Von Mises já havia proclamado a influência marxista pelo menos nas idéias econômicas dos nazistas.





De uma forma ou de outra, não é de hoje que autores populares na direita americana tendem a identificar o nazismo com o socialismo (não muito diferente da esquerda, frequentemente disposta a chamar qualquer liberal de "fascista"), tornando esse veredito, longe de consensual academicamente, extremamente comum entre os conservadores por lá. 

Essa atual celeuma sobre o tema envolvendo autoridades brasileiras - não só o Ministro Ernesto Araújo, como o próprio Presidente -  é só consequência da absorção de cacoetes americanizados pela direita daqui, em um fenômeno não muito diferente da presença da Estátua da Liberdade na loja de departamentos do empresário bolsomínion.




E não me parece que seja uma questão sem fundamento: como dizer que uma agremiação política denominada Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães não era socialista? 

Eu mesmo já concordei com essa posição exatamente devido a essa evidência aparentemente insofismável. Isso até eu perceber que, pelo mesmo critério, a esquerda americana seria toda composta de liberais pelo simples fato de que, nos Estados Unidos, "liberal" é o termo empregado para se referir à esquerda. Ou que os conservadores americanos seriam monarquistas, como seus congêneres britânicos, apesar de se identificarem como defensores dos princípios e valores que nortearam a constituição liberal-revolucionária de seu país.

Ou seja: será que o termo "socialismo" e seus derivados tinham o sentido usual também para os fundadores do Partido Nazista?


Não foi isso o que respondeu Hitler, em uma entrevista concedida em 1923 e republicada em 1932, conforme reprodução pelo jornal The Guardian e da qual traduzo alguns trechos essenciais para a discussão:



"Quando eu tomar o poder na Alemanha, colocarei um fim nos tributos externos e no bolshevismo doméstico [...] O bolshevismo [...] é nossa maior ameaça. Mate o bolshevismo  na Alemanha e você restaura o poder de 70 milhões de pessoas. A França deve sua força não a seus exércitos, mas às forças do bolshevismo e ao dissenso em nosso meio [...]"


Essas foram palavras do próprio Führer. Mas, ainda assim, pode-se argumentar que ele criticava o socialismo internacionalista russo, não sua suposta vertente nacionalista. Isso parece ter ocorrido ao entrevistador também, que, no entanto, estranha o fato do programa do partido de Hitler não refletir isso:

"Por que [...] o Senhor chama a si mesmo de nacional-socialista, já que o programa do seu partido é a própria antítese do que se comumente atribui ao socialismo?"


Ao que ele respondeu:

"O socialismo [...] é a ciência de se lidar com o bem-estar comum. O comunismo não é socialismo. O Marxismo não é socialismo. Os marxistas roubaram o termo e confundiram seu significado. Eu arrancarei o socialismo dos socialistas.
O socialismo é uma antiga instituição germânica, ariana. Nossos ancestrais alemães tinham certas terras em comum. Eles cultivavam a idéia do bem-estar comum. O marxismo não tem o direito de se disfarçar de socialismo. O socialismo, diferente do marxismo, não repudia a propriedade privada. Diferente do marxismo, ele não envolve a negação da personalidade, e, diferente do marxismo, é patriota. 
Nós poderíamos ter nos denominado de Partido Liberal. Nós escolhemos nos denominar nacional-socialistas. Nós não somos internacionalistas. Nosso socialismo é nacional. Nós exigimos o cumprimento das justas súplicas das classes produtivas pelo Estado na base da solidariedade racial. Para nós, estado e raça são unos". 
"[...] As favelas [...] são responsáveis por nove décimos, e o álcool por um décimo de toda a perversão humana. Nenhum homem saudável é marxista. Homens saudáveis reconhecem o valor da personalidade".
"[...] Nossos trabalhadores têm duas almas: uma é alemã, e a outra é marxista. Nós temos de despertar a alma alemã. Nós temos de extirpar o cancro do marxismo. Marxismo e germanismo são antíteses."
 A propósito, a mesma entrevista cita palavras de Leon Trotsky na qual o mais internacionalista dos comunistas - na realidade, o mais interplanetário dos comunistas - sugere que o nacional-socialismo alemão seria "o último baluarte da propriedade privada".

Deu para entender ou querem que Hitler desenhe?














terça-feira, 2 de abril de 2019

Nacional-Gnosticismo III: a Grande Cadeia do Ser




Vimos, na primeira parte desta série, as alusões do Ministro Ernesto Araújo a autores esotéricos em "Trump e o Ocidente", artigo que escreveu para uma revista de relações internacionais e que Olavo de Carvalho utilizou como referência ao recomendá-lo ao cargo no Governo Bolsonaro. 

É com base em conceitos esotéricos que também se ergue sua concepção de nação, como se verifica nesse trecho:
Fernando Pessoa ... dizia na Mensageur: '"As nações todas são mistérios. Cada uma é todo o mundo a sós"... [S]ua reação é justamente a tentativa genial de recuperar ou reinventar o nacionalismo mítico [...], refundar a unicidade profunda, multidimensional, transpolítica da nacionalidade ... 'As nações todas são mistérios': aqui, a palavra 'mistérios' pode se ler não só no sentido de enigma inescrutável, mas também de celebração e rito iniciático, de culto mistérico, como nos mistérios de Elêusis, e nesse sentido cada nação é também uma religião. [meus grifos]

Essas considerações reforçam o que foi dito na segunda parte sobre a acepção esotérica do termo "metapolítica" quando empregado pelo Chanceler. Como explicado então, metapolítica, nesse sentido, toma como princípio a existência de um "saber primordial comum a todas as civilizações", o que a tornaria, segundo seus defensores, a "expressão de uma ciência não profana, e sim sagrada", que "penetra no mistério escatológico da história" expressando "um projeto que [...] os homens retos esforçam-se de [sic] realizar na terra..."

É com esse pano de fundo que se deve ler as seguintes afirmações de Ernesto Araújo logo no início do referido ensaio:

[A]o lado de uma política externa, o Brasil necessita de uma metapolítica externa, para que possamos situar-nos e atuar naquele plano cultural-espiritual em que, muito mais do que no plano do comércio ou da estratégia diplomático-militar, estão se definindo os destinos do mundo. Destinos que precisaríamos estudar, não só do ponto de vista da geopolítica, mas também de uma 'teopolítica'. [meus grifos]

Como já estabelecido, se essa "teopolítica"/"metapolítica" tem como base uma concepção esotérica, então se faz necessário compreender como ela se articula até chegar à proposição de um nacionalismo que, mais do que o termo sugere, é também, e mais essencialmente, um "culto mistérico" e segundo o qual cada nação "é também uma religião".

Para tanto, não se pode cair no erro, que tem se tornado muito comum, de tomar as idéias de Ernesto Araújo, ou de Olavo de Carvalho, entre outros, na mesma chave com que se recebem as intervenções da Ministra Damares Alves ou de Iolene Lima. Leo Strauss, com seu Perseguição e a Arte de Escrever e suas considerações sobre as reais crenças de Maimônides, já deu rigor acadêmico à compreensão de como o discurso esotérico se camufla em uma nuvem de aparente religiosidade convencional.


É preciso atenção para não se deixar levar pelos símbolos linguísticos cristãos quando utilizados por pensadores gnósticos que se dizem defensores ou representantes da "fé cristã", sobretudo quando eles mesmos fazem referência a autores esotéricos como base de seu pensamento.

-----


O Ocidente cristão herdou da Antiguidade grega o conceito que se convencionou chamar de A Grande Cadeia do Ser. Essa Grande Cadeia seria a hierarquia que, iniciando-se no Ser Supremo - a origem de todos os seres e de toda a possibilidade de existência -, desceria, passando pelos deuses (ou anjos, na classificação cristianizada) e chegando até os homens, animais e minerais (existe um clássico de Arthur O. Lovejoy, publicado pela Harvard University Press, a respeito). 




Em consonância com o que apresentam as Escrituras, essa Grande Cadeia do Ser foi assimilada pelo Cristianismo como apresentando o Deus Criador no topo e, abaixo, os seres por Ele criados mediante Sua Vontade soberana.

Os gnósticos, no entanto, mantiveram uma perspectiva mais próxima da neoplatônica, mesmo que eles se apresentem exteriormente como defensores do Cristianismo.

De forma geral e muito simplificada, pode-se dizer que eles concebem a Grande Cadeia do Ser tendo, em seu topo, o Uno Transcendente Supra-Individual do qual emanariam - surgiriam espontaneamente, por assim dizer - deuses dos quais, por sua vez, "emanariam" ainda outros, em quantidade sempre crescente, até que, por fim, teríamos a realidade sensível na qual vivemos de forma mais imediata.

Um povo, uma nação, seria, portanto, mais do que uma coletividade humana com vínculos históricos, culturais, linguísticos ou étnicos entre seus membros. O modo de ser, agir ou pensar associado a um tipo nacional seria a manifestação sensível das possibilidades ontológicas contidas potencialmente na divindade arquetípica da qual essa nação mais imediatamente emanaria. Por essa razão, cada membro dessa nação teria de buscar a realização dessas possibilidades. Essa seria a finalidade, o "telos" de sua existência.


É dessa metafísica que advém a "metapolítica" que embasa o nacionalismo gnóstico. E é só munido desses conceitos que se pode compreender as palavras de Fernando Pessoa, ecoadas por Ernesto Araújo, sobre cada nação ser como um mistério, o que incluiria, no detalhamento feito pelo atual Ministro, também um "rito iniciático", um "culto mistérico" e "uma religião". Realizar, atualizar esse arquétipo nacional seria, segundo essa perspectiva, mais do que expressar uma "cultura", mas rigorosamente o cumprimento de um rito, o viver em consonância - e, consequentemente, em "ressonância" - com a divindade que deu origem a uma dada nação.

Ainda nessa concepção, os anjos - equivalentes semíticos dos deuses, segundo os esotéricos - seriam mais do que "entes" espirituais criados por Deus. Eles seriam "níveis da realidade". Seriam "estados" e, ao mesmo tempo, "seres supra-individuais".

É por essa razão que René Guénon escreveu, em O Homem e seu Devir Segundo o Vedanta [que, é importante destacar, Olavo de Carvalho inclui na lista de "Livros que fizeram minha cabeça"], abaixo em sua tradução espanhola:

[C]asi todo lo que se dice teologicamente de los ángeles puede decirse também metafisicamente de los estados superiores de ser. 




Reforçando, o mesmo autor diz, em "Os Estados Múltiplos do Ser", desta vez em tradução brasileira:

Já notamos que quase tudo o que é dito teologicamente dos anjos pode ser dito metafisicamente dos estados superiores do ser.




A propósito, alguns leitores devem se lembrar que, em 2015, nos artigos "A Igreja Humilhada" I e II, o pensador e, é importante lembrar nesse contexto,  também astrólogo Olavo de Carvalho defendeu que a recuperação da Igreja Católica só seria possível através do anterior resgate da "cosmologia medieval".

Vejamos o que Guénon - que "fez a cabeça" do Olavo e de Araújo - diz no trecho seguinte àquele reproduzido logo acima:
Já notamos que quase tudo o que é dito teologicamente dos anjos pode ser dito metafisicamente dos estados superiores do ser, assim como, no simbolismo astrológico da idade média, os “céus”, ou seja as diferentes esferas planetárias e estelares, representam estes mesmos estados, e também os graus iniciáticos aos quais corresponde sua realização; e, como os “céus” e os “infernos”, os Dêvas e os Asuras, na tradição hindu, representam respectivamente os estados superiores e inferiores em relação ao estado humano.
Veremos, na 4ª parte, a aplicação dessa "metapolítica" gnóstica à ordem política internacional. 








terça-feira, 19 de março de 2019

Nacional-Gnosticismo II: a Metapolítica do Ministro

Acesso à Parte I: O Chanceler Esotérico.

Desde a mais recente campanha presidencial, o chanceler Ernesto Araújo mantém um blog denominado Metapolítica 17 (referência ao número do então candidato Jair Bolsonaro), que pode ser acessado atualmente no endereço www.metapoliticabrasil.com. Apesar do endereço, a antiga capa e o nome original foram mantidos:




Quando da indicação desse Ministro, Olavo de Carvalho reagiu a uma publicação de Martim Vasques na qual o  ex-aluno e atual desafeto, apelidado de Martim Vaca, teria divulgado os posts de um russo que teria dito que Ernesto Araújo tem ligações com a "nouvelle droite" de Alain de Benoist exatamente por utilizarem, ambos, o termo "metapolítica":



É verdade que, como se lê no printscreen acima, metapolítica é um assunto, não indicando necessariamente a pertença a um grupo específico, mas também é verdade que o termo tem mais de um sentido, e aquele no qual o chanceler se enquadra o aproxima por demais do que pensam e fazem certos "grupos iniciáticos".

É o que se conclui do artigo "O que é Metapolítica?", de Alberto Buela, cuja tradução foi publicada no Brasil em 2014, bem antes, portanto, de tal discussão e evidentemente não influenciado por ela. 




Buela identifica 3 acepções do termo, sendo que somente as duas primeiras flagrantemente divergem das posições exibidas publicamente por Ernesto Araújo: 


A primeira acepção refere-se ao desenvolvimento de uma atividade cultural como "condição prévia e necessária para a tomada do poder político", mas, idealmente - e, segundo Buela, contraditoriamente -, sem qualquer ação política direta. Seria uma absorção do método gramsciano pela direita. Segundo Buela, "[p]oucos são os que sabem que este é o antecedente mais distante da noção de metapolítica que começou a manejar-se em fins dos anos sessenta por um grupo cultural francês conhecido como nouvelle droite".

A segunda acepção é a de uma filosofia política da linguagem sem pressupostos metafísicos, gritantemente oposta à posição do Ministro das Relações Exteriores e à de seu guru. 

Mas há a terceira acepção, que merece uma maior atenção:
"Uma terceira acepção da metapolítica está dada pelo que denomina-se tradicionalismo, corrente filosófica que ocupa-se do estudo de um suposto saber primordial comum a todas as civilizações. Cabe distinguir este tradicionalismo que por definição é ahistórico, da tradição de um povo particular como história de valores a conservar.
O máximo representante desta corrente, neste tema, é o italiano Silvano Panunzio que em sua obra Metapolítica: A Roma Eterna e a nova Jerusalém ocupa-se detalhadamente dos fundamentos da metapolítica e sua funcionalidade em nosso tempo.
Não obstante, é seu continuador o agudo pensador ítalo-chileno Primo Siena, quem melhor define esta significação de metapolítica quando sustenta: "Transcendência e metapolítica são conceitos correlativos, por ser a metapolítica veraz expressão de uma ciência não profana e sim sagrada; ciência que portanto eleva-se à altura de arte régia e profética que penetra no mistério escatológico da história entendido como projeto providencial que abarca a vida dos homens e das nações. Por conseguinte, a metapolítica expressa um projeto que - pela mediação dos Céus - os homens retos esforçam-se de realizar na terra, opondo-se às forças infernais que tentam resistir-lhes."


Sim, aí está a metapolítica condizente com o autor de "Trump e o Ocidente", o entusiasta de autores gnósticos, do defensor do tradicionalismo supratemporal de René Guénon, do dono do blog Metapolítica 17.


Acesso à Parte I: O Chanceler Esotérico.






segunda-feira, 18 de março de 2019

Nacional-Gnosticismo I: o Chanceler Esotérico


Ernesto Araújo, o chanceler brasileiro indicado por Olavo de Carvalho, notabilizou-se, entre outras razões igualmente controversas, por ter enaltecido o "Deus de Trump", que, segundo Araújo, "não é o Deus-consciência cósmica", mas "o Deus que age na história, transcendente e imanente ao mesmo tempo".

No mesmo ensaio, intitulado "Trump e o Ocidente", ele diz acreditar haver "ecos guenonianos" no discurso de Trump em Varsóvia, atribuindo-os à influência de Steve Bannon, então seu estrategista.


Bannon é, de fato, influenciado não só por René Guénon, como também por Julius Evola, mas, mesmo que nos esforcemos em considerar a fé de Trump algo genuíno (convicção religiosa essa que parece ainda mais cínica quando o vemos e ouvimos falar dela, como no vídeo abaixo), não é verdade que o conceito de Deus em Guénon sequer se assemelhe à concepção cristã ou especificamente católica, ao contrário do que afirma Araújo.



Em uma entrevista, reproduzida no vídeo acima e mencionada em um artigo do Washington Post, Trump diz que "Deus criou isso [apontando para seu campo de golfe e a natureza em volta], e está aqui o Oceano Pacífico bem atrás de nós".



Para René Guénon, 'criação" divina era um conceito inferior, exotérico, e, mesmo assim, típico somente das 3 tradições de origem semita (que ele chamava, com desprezo, de "religiões").

Guénon cria no emanacionismo. E cria não só que o universo teria emanado da Divindade - e não sido criado por Ela -, mas que os diferentes nomes divinos seriam referências também a diferentes manifestações hipostáticas dessa Divindade. Mais especificamente, Guénon escreveu, em O Rei do Mundo, que o El Élyon, o Deus Altissimo de Melquisedeque, seria o mesmo Emmanuel a que Cristo se referia, mas que esse seria superior a El Shaddai, o Todo Poderoso que se manifestou a Abraão.



Mas é difícil acreditar que Ernesto Araújo ignorasse isso tudo.

Araújo é autor de 3 livros de ficção. Um deles é intitulado Quatro 3, que escreveu quando "servia na embaixada em Berlim". Em entrevista sobre o livro publicada no site da própria editora, há um trecho que demonstra sua familiaridade com o gnosticismo, e evidente simpatia para com a heresia:

Alfa Omega: Seu livro também fala muito de deus.

Ernesto Araújo: Sim. Outro ponto que procuro trabalhar é a idéia da fragilidade de deus. Acho necessário contestar a concepção de deus como administrador do universo, e propor aquela de deus como prisioneiro desse mesmo universo. Precisamos resgatar a visão gnóstica do “deus que sofre”, e esquecer a figura do deus-juiz, do legislador cósmico vigiando e punindo.



Esse livro foi publicado 18 anos antes que ele se tornasse  nosso chanceler. Poderia refletir somente uma fase gnóstica na juventude, mas as muito mais recentes referências positivas a René Guénon, Julius Evola, Vitor Manuel Adrião e Carl Jung em "Trump e o Ocidente", além de sua ligação com Olavo de Carvalho, sugerem, ao contrário, um aprofundamento em suas convicções.

Acesso à Parte II: A Metapolítica do Ministro.













domingo, 10 de março de 2019

As 4 Vertentes do Governo Bolsonaro.


A candidatura de Jair Bolsonaro foi resultante da confluência de 4 vertentes, cada uma composta pelos seguintes grupos:
1. Os militares, que formam o "núcleo duro" do Governo.
2. Os evangélicos, dado seu potencial de atrair votos.
3. Os liberais globalistas, que, através da figura de Paulo Guedes, levaram o candidato para as "altas rodas" financeiras internacionais e fizeram com que abandonasse o discurso nacionalista.
4. As olavettes, que prometiam oferecer ao novo Governo a "sabedoria" que, acreditaram o candidato e pelo menos dois de seus filhos, fluiria como uma seiva divina a partir da Virgínia e, mais recentemente, da "Internacional Nacionalista" de Steve Bannon.
O Governo não sobrevive sem a vertente militar e a evangélica, que compõem seu kit básico de sobrevivência.
Por determinação dos militares, ele está tendo de se livrar do fiasco da 4ª vertente, o que vem ocorrendo sob aplausos aliviados dos liberais globalistas, que, por sua vez, se tornarão, em breve, a única força interna com o potencial de se contrapor aos militares (já que a agenda dos evangélicos se resume praticamente ao anti-esquerdismo e às pautas morais, podendo se moldar ao que restar).
E é nesse ponto que os militares têm de ficar muito atentos, pois os liberais, para garantirem que seus verdadeiros patrões possam se refestelar com o botim nacional, poderão fomentar as críticas da vertente olavette - que já está tentando colocar a população contra os militares antes mesmo de ser escorraçada do barco -, e qualquer sucesso nessa empreitada tenderá a fortalecer o poder desses liberais sobre as decisões do Governo.
Por isso, é importantíssimo que o núcleo duro mantenha canais abertos com russos e chineses, até porque são a única vertente com a disposição de fazê-lo preservando os interesses nacionais, e o farão caso não queiram que viremos a próxima Venezuela.

domingo, 8 de julho de 2018

"Nosso mestre, e nossa inspiração".

Reproduzo aqui, retirado da página "Quem Somos" do antigo site oficial do extinto Instituto Olavo de Carvalho, de Curitiba, trecho do texto de Simone Caldas, sua "Vice-Diretora", datado de 8 de agosto de 2010, seguido de link para a cópia da página, que foi recuperada através da Wayback Machine do www.archive.org.

Trecho em destaque:

...Todas as atividades desenvolvidas foram idealizadas pela Luciane, em conformidade com as orientações que já há muitos anos ela tem recebido de Olavo de Carvalho – nosso mestre, e nossa inspiração. Algumas dessas atividades são hoje dirigidas por alunos e membros do Instituto, sob a orientação da Luciane.


Leia também, neste blog: "Dele vem, dele vive, dele depende".


"Dele vem, dele vive, dele depende".

O Instituto Olavo de Carvalho operou na cidade de Curitiba, Paraná. A instituição iniciou suas atividades em 31 de março de 2010 e continuou em operação por mais alguns anos, encerrando suas atividades de forma controversa.

Reproduzo aqui, retirados da página de abertura do antigo site oficial da instituição, trechos do texto de Luciane Amato, sua "Fundadora e Diretora", seguidos de link para a cópia da página, que foi recuperada através da Wayback Machine do www.archive.org.

Trechos em destaque:

Este instituto é uma pequena e humilde extensão do trabalho de Olavo de Carvalho. Dele vem, dele vive, dele depende.

Dos ensinamentos que eternamente recebi, recebo e receberei de Olavo de Carvalho, uma parte ínfima transformou-se no que passei a denominar “bio-iatria”, termo tomado de empréstimo a Julián Marías, que sugeriu a necessidade de uma medicina para as doenças biográficas. A minha bio-iatria não tem, no fundo, nada de original: somente juntei os muitos ensinamentos de Olavo de Carvalho, sobretudo em matéria de ética, psicologia e biografia, somei estudos de Pradines, Szondi, Frankl e outros, e, caso a caso, apliquei o que aprendi, isto é, adotei um método tutorial de ensino, partindo do ponto em que se encontrava cada um dos meus alunos ao chegar até mim e tentando fazer com que se realizasse nele a operação realizada em mim pela presença de Olavo de Carvalho.

O resumo das minhas condutas interiores e exteriores, desde que entrei em contato com Olavo de Carvalho, cabe em poucas linhas. Reconheci de imediato as verdades que me foram transmitidas, ainda que na época não as compreendesse integralmente, e, se venho conseguindo lidar com essas e outras milhares de incompreensões que continuam a surgir, é porque confio nele totalmente e sei que não poderia ser de outro modo: é mesmo verdade que aprendemos mais e melhor quando amamos quem nos ensina. Reconheci, também, a minha estupidez, tratei de ficar quieta no meu canto, de estudar, de trabalhar, sem esperar nada de ninguém, disposta a dar tudo ou perder tudo o que fosse necessário para tornar-me ao menos, como ele convocava, “aspirante à espécie humana”. E adquiri, por fim, profunda repugnância a atenção e aplausos...









domingo, 31 de janeiro de 2016

Para olavettes e anti-olavettes

Por duas de R$64,50, o Sensacionalista comercializa um item essencial para que as olavettes identifiquem umas às outras nas manifestações pelo impeachment:

Alguns esclarecimentos pertinentes.

Para quem não sabe ou não mais se recorda, sou, sem absolutamente nenhum orgulho disso, ex-colunista do Mídia sem Máscara, tendo mantido uma relação distante, mas de amizade com Olavo de Carvalho - que me chamou de "Meu amigo Caio Rossi" em um artigo de 2006 -, e tive um de meus artigos lá publicados selecionado para a coletânea que compôs o livro Conspiração de Portas Abertas, como se pode verificar no site da Livraria Travessa:

Lembro-me de que a principal razão que o organizador me ofereceu para justificar a seleção do meu texto foi de que eu era o único que oferecia fontes para tudo o que era afirmado. A quem tiver o livro, sugiro que vá até o meu artigo e compare a quantidade de notas de rodapé em contraposição à que se encontra nos outros artigos. 

É com o mesmo critério rigoroso e com a máxima transparência que tenho feito todo o trabalho de exposição e análise das crenças e ações do pensador mais influente na "nova direita" brasileira, dando o meu nome e a minha cara a tapa tanto neste blog, como no Prometheo Liberto e nos Hangouts. O meu testemunho direto, somado ao que veio de outras fontes, é muito mais do que se encontra nesses meios, mas jamais fiz quaisquer dessas informações para as quais não podia oferecer provas concretas a base dos meus argumentos. Tudo o que disse sobre as crenças do Sr. Olavo de Carvalho e sua ação cultural e política foi corroborado por evidências fornecidas por ele mesmo ou associadas inequivocamente ao que ele afirmou. 

Essa empreitada de cerca de 2 anos custou-me tempo e um enorme desgaste pessoal, além de inúmeros dissabores, exigindo imensos esforços de minha parte e sacrifício do meu tempo de lazer e estudo, além de me render uma ameaça - por vias de magia negra (!!) e campanha de difamação nas redes sociais, a exemplo do que tem sido feito contra o Sr. Cassiano Tirapani - feita pelo mais idiota dos membros da família de Carvalho, o Tales de Carvalho - provavelmente o único "conservador" que disse "mano" no ar em toda a história da Rádio Vox -, de cuja tariqa sufi fui membro por algum tempo (A propósito, Sr. Tales: caso continue a fazer circular a versão de que eu teria sido expulso da tariqa, lembre-se de que tenho seus e-mails me dizendo que sabia que eu havia pedido para não me procurarem mas clamando para que eu retornasse. Sim, você é mesmo o mais idiota dos membros desse clã de gnósticos).

Mas isso tudo foi somente uma introdução para justificar o que segue:

Esse trabalho que os irmãos Velasco e eu temos desenvolvido por todo esse tempo passou a chamar muito mais atenção devido aos "entreveros" públicos recentes envolvendo Olavo e outros opositores do petismo, e sobretudo agora, com a campanha de difamação movida contra o Sr. Tirapani. Nos últimos dias, alguns perfis falsos foram criados no Facebook para apontar as contradições do gnóstico da Virgínia quanto à questão da exigência de um "necrolégio" no COF e seu uso indevido. Apesar dele afirmar categoricamente que os irmãos Velasco os teriam criado, pelo menos um dos verdadeiros donos desses perfis já veio a público (o que exigiria que ele se retratasse publicamente também).

Além disso, outras pessoas, cuja vericidade do perfil é pública e notória, têm utilizado elementos do que viemos revelando, misturados com interpretações erradas de seu conteúdo e adicionados a informações que não podem ser demonstradas - como a prática de orgias sexuais homo, hétero ou pansexuais - para se contrapor ao Olavo de Carvalho e seus seguidores. 

Quero deixar claro que essas pessoas, por mais que nos contatem nas redes sociais e nos dêem apoio público,  não fazem parte de um "coletivo" integrado e coordenado com os Velascos ou comigo, e que sou crítico de sua ação, seja na utilização de perfis "fake", seja na propagação de supostos fatos sem qualquer prova. Por mais que eu os considere frequentemente divertidos, e independente de quaisquer informações que eu possa ter que corroborassem essas afirmações, o fato é que o que tenho apontado é totalmente independente dessas especulações - assim como os itens inumerados por Carlos Velasco em post recente - e destacá-las, como se fossem o essencial da questão, quando na realidade são irrelevantes, é mera burrice. E eu prefiro que somente o outro lado conte com o apoio de um idiota. 




quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Causando "frisson".

Cassiano Tirapani é um professor de História de Santo André. Esse é seu perfil no Facebook:


Tirapani é mais um dos poucos que tiveram a hombridade de, sendo ex-olavette, tornar pública sua atual rejeição a seu antigo "tutor" através de um post em sua página pessoal da rede social. Extremamente bem escrito, seu texto revela, na forma, a dignidade e sinceridade de seu autor, demonstrando que ainda há esperanças de que a "nova direita" brasileira escape do looping de ódio alimentado pelo guru da Virgínia e que ameaça dividir nossa sociedade entre os "bonzinhos" e os "mauzinhos" para fazer o jogo de interesses que transcendem a compreensão de seus discípulos mais ferrenhos e ativos (frequentemente os mais desavisados).

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Em respeito a um astrólogo senil.

Como os posts do Esgoto da Virgínia no Facebook têm recebido cada vez menos "likes", e ele tem feito promoções desesperadas para conseguir novos alunos, sugiro que ele se candidate a uma vaga de "Consultor em Astrologia" na Estrela.com, que tem feito anúncios repetidos na rede social. E não se preocupe: tem CLT.

Pode ser uma ótima alternativa você procurar uma outra fonte de renda, pois seus amigos romenos estarão, em breve, muito ocupados enfrentando a retaliação russa.

terça-feira, 21 de julho de 2015

A elite de homens-massa.

Aécio Neves deu entrevista a Marília Gabriela em 27 de junho de 2010.

Aécio Neves em De Frente com Gabi

Aqui vocês escutam o que a grande esperança da "nova direita" disse sobre seu partido e o PT na ocasião. Na altura dos 3 minutos e 40 segundos da gravação, ouve-se:

... em algum momento - alguns dos meus aliados não gostam quando eu falo nesse aspecto, mas eu acredito muito nisso -, eu acho que vai chegar um momento em que o PT e o PSDB vão estar juntos em um projeto a favor do Brasil. Porque o que nos separa hoje é muito mais a disputa pelo poder do que diferenças ideológicas profundas, [...] porque, no momento em que nos afastamos como estamos afastados hoje, nóis [sic] damos um espaço muito grande à periferia da política,..

Qual é a "periferia da política" que ele quer tanto evitar? Ele cita os partidos pequenos, mas não incluiria também aqueles que são contra os excessos dos programas sociais, já que ele propunha expandi-los durante a campanha?

Essa "periferia da política" não seria composta também por gente como o Prof. Hermes Nery, o católico anti-abortista que não tem pudores em se juntar a gnósticos e maçons para derrubar Dilma? A julgar pelo que Aécio pensa do aborto, esse é um dos tipos "periféricos" que ele até tolera enquanto serve a seu partido na "disputa pelo poder" com o PT, mas, assim que o objetivo for alcançado, ele certamente também irá tentar isolá-los da política. 

Ser massa de manobra para um homem dos Rotschild auxiliado por um homem da J.P. Morgan e, ao mesmo tempo, servir aos propósitos de médio e longo prazo de um gnóstico sionista é a função da "nova direita" brasileira, essa auto-intitulada elite conservadora que não consegue nem mesmo entender o que um candidato registrou em entrevista e em seu programa de governo, quanto mais o projeto político-cultural e espiritual de sofisticados esotéricos.  



terça-feira, 14 de julho de 2015

Sabe de nada, inocette!




Usando os meus conhecimentos de esoterismo, estava pensando aqui em como criar um esquema esotérico para enganar os conservadores brasileiros e cheguei ao que eu acredito ser a receita do sucesso. Vamos lá:

1. Como um gnóstico travestido de cristão, levarei os meus seguidores a criar organizações para angariar mais seguidores. 


2. Essas organizações funcionarão como tariqas islâmicas: terão uma fachada "ortodoxa", que atrairá o interesse e o dinheiro de um grande grupo de pessoas. 

3. No centro dessas organizações, porém, haverá o "núcleo duro" de iniciados no culto gnóstico. 

4. Entre os diversos pagantes, haverá sempre aqueles poucos que se destacarão e irão, paulatinamente, se aproximando desse "núcleo duro" até, se tiverem o perfil, serem convidados a se juntar a ele. É quando ocorrerá a iniciação.

5. A partir do momento em que a pessoa for iniciada, o grupo irá se comprometer a vendê-la como a encarnação da perfeição: se ela der aulas de latim, será promovida como uma sumidade na língua e em seu ensino. Se for professor de literatura, dirão que ninguém consegue entender nenhum romance sem a sua ajuda. Em troca, ele só terá de dizer que deve tudo o que sabe a mim, o grão-mestre gnóstico travestido de cristão. Mesmo que eu não entenda muito do assunto que o meu discípulo ensina. É o que se chama de guru yoga no hiduísmo. 

6. E o que distinguirá os iniciados dos outros? Na prática, só o acesso a orgias, bacanais, sacrifícios, etc. Mas nada disso será feito de forma vã. Não, de forma alguma: o iniciado fará parte de uma elite. Não será um mero devasso, até porque ele estará esotericamente acima da moral, e,  portanto, não será um imoral. Ele fará isso tudo "ritualmente", somente com o intuito de "desintegrar" seu ego, seu eu pessoal, e, com isso, facilitar o acesso de seu "Eu Superior" à gnose. 

7. Enquanto o iniciado não atingir a "iluminação", ele manterá as práticas rituais do Cristianismo que professará exteriormente, pois ainda terá de garantir a salvação de sua alma - como fazem os que seguem Vishnu e Shiva ao mesmo tempo. Mas, uma vez que atinja a gnose, o cumprimento desses ritos, se se mantiver, será somente como fachada. Eles serão considerados, a partir de então, desnecessários, pois já se terá obtido "algo maior". 

8. Sacrifícios? Para quê? Como justificar algo assim justo no Cristianismo, que já tem a vítima perfeita? Uma das razões é que o iniciado deverá emular o sacrifício feito pelo Eterno Feminino quando manifestado como a Virgem Maria. Ela não deu o primogênito em sacrifício? Então o casal de iniciados deverá fazer o mesmo: abortar, em sacrifício, pelo menos o primeiro filho gerado após a iniciação. 

9. Mas não é só abortar por abortar, pois isso é errado. Pelo menos para os exotéricos, que o fazem sem uma finalidade maior, "ritual". No caso do gnóstico, o iniciador e o casal de iniciados irão comer parte do feto abortado, e o restante será colocado em três canecas, ou outros recipientes - um para cada participante -, que ficarão, por sua vez, no altar do Eterno Feminino (da Virgem Maria, mais especificamente, pois se tratará de gnosticismo em sua forma cristã). Após esse ritual, cada recipiente escolhido estará - ou pelo menos é assim que eu acredito - com um demônio aprisionado, cujos poderes serão utilizados por seu dono para seduzir os ouvintes, bastando colocar o objeto mágico entre ele e a platéia, ou colocar a mão sobre o recipiente para ter acesso ao seu "poder". 

10. Lembre-se, porém, de que, se alguém beber desse recipiente, o poder do demônio sobre essa pessoa cessará e ela poderá até mesmo enxergar o demônio. 

11. Ah, você não acredita que alguém poderia criar uma organização assim, mesmo sabendo que boa parte da elite americana participa de rituais como os do Bohemian Grove?

Sabe de nada, inocette! Eu sou o maior filósofo vivo desse país!