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domingo, 9 de fevereiro de 2014

O mercado de cursos online para conservadores.

A proliferação de cursos online oferecidos ao público conservador é impressionante, mas o que mais chama a minha atenção não é a quantidade, mas a baixa qualidade desses cursos. Enquanto professores "progressistas" costumam pecar pela "inclusão" democratizante, que baixa o nível para atingir a todos, os conservadores erram pela impáfia da auto-imagem inflada, que é incensada ainda mais por alunos que são ideologicamente predispostos a admirá-los, sem que seus cursos cheguem nem perto da qualidade que alardeiam. 

Como resultado temos, por exemplo, professores de humanidades que causam sono profundo, ou que ofereceram aulas presenciais durante décadas sem conseguir formar um único grande pensador, mas que prometem que o farão à distância e atendendo a milhares de alunos ao mesmo tempo. 

Mas o que mais me causa repulsa, pois se relaciona à minha área de expertise, é a proliferação de cursos de línguas online oferecidos também a essa clientela conservadora. 

Um bom exemplo é um curso de latim cujo professor desce a lenha na graduação que a USP oferece na língua, mas se gaba de ter se formado nessa mesma instituição e ter sido um dos melhores alunos da turma, e até melhor que seus próprios professores - sim, aqueles mesmos que chancelaram seu diploma!! Ora, vamos deixar a coisa bem clara:

- Os alunos de Letras da USP são conhecidos por serem os menos qualificados da instituição, e a grande maioria só consegue entrar nessa universidade porque o número de vagas é enorme se comparado ao das outras carreiras. Eu fiz o antigo segundo grau em escola estadual, em um curso noturno, e depois de cerca de 8 anos prestei vestibular para Psicologia na USP, que é tão difícil de entrar como o curso de Direito nessa universidade, sem fazer cursinho. Entrei em 26º lugar de um total de 70 vagas. Eu acredito que isso me coloque no Olimpo da inteligência brasileira, aquele que vai salvar a "cultura ocidental" - outro clichê vazio dos tupi-neocons? Não. Então baixe a bola, latinista!

- O curso de Letras da USP funciona da seguinte forma: o primeiro ano é básico, comum a todos os alunos de Letras. Ao final desse período, eles escolhem a língua estrangeira na qual pretendem se especializar - ou então Linguística ou só o vernáculo -, mas, como o número de vagas é limitado, existe um processo que a instituição denominou de "ranqueamento", que determina quem terá suas escolhas atendidas, o que é feito de acordo com o desempenho acadêmico durante o ano que se passou. 

- O idioma mais concorrido no processo de "ranqueamento" é o inglês, que geralmente fica com os melhores alunos do primeiro ano. O curso de latim é muito pouco procurado, e acaba recebendo, na maior parte das vezes, os que colocaram esse idioma como segunda ou até terceira opção, mas que, pelo desempenho acadêmico nada brilhante no primeiro ano letivo, não tiveram suas primeiras opções atendidas, ou aqueles que, sabendo que não teriam chances em outros cursos, colocaram o latim logo como primeira opção.

Dá para entender por que alguém que goste desse idioma, e o tivesse como primeira opção no processo de "ranqueamento", se destaca em relação aos colegas de curso: ele quer realmente estudar a língua e tem ao seu lado predominantemente pessoas que não gostariam de estudar esse idioma e que têm um desempenho acadêmico sofrível já entre os menos qualificados alunos da USP. Não é tanto mérito pessoal quanto demérito alheio. 

A propósito, eu tenho mais de duas décadas de ensino de inglês nas mais renomadas escolas de idiomas de São Paulo, e atuei no treinamento de professores, e posso garantir que um egresso do curso de Letras-Inglês da USP - que é a elite do curso deles -, em geral, não tem conhecimento da língua ou de didática que o coloque acima dos outros professores, e o fato de as melhores escolas terem total indiferença em relação a esse diploma já mostra claramente o quanto de admiração alguém formado em latim nessa mesma instituição merece. Ainda mais quando esse alguém diz que seus alunos estarão não só lendo, mas escrevendo ao final de seu curso, enquanto o seu próprio Currículo Lattes afirma que ele só sabe ler no idioma! 

Leigos do mundo, leiam com atenção: exceto para uma pequena minoria que provavelmente nasceu com um talento especial para línguas, a aprendizagem de um idioma é um processo extremamente dinâmico e complexo, que exige um professor que não somente conheça a língua, mas tenha qualificação para intervir nesse processo de forma eficaz. Consequentemente, no caso da grande maioria das pessoas, a aprendizagem efetiva de uma língua não é compatível com intervenções assíncronas e à distância por parte do professor. E esse professor tem de ter muito conhecimento não só do idioma, mas muito mais de pedagogia e psicolinguística, cuja ignorância é denunciada até pela forma como os professores de latim ensinam e entendem ser a gramática. E não existem métodos milagrosos e infalíveis, mas procedimentos que ajudam a resolver dificuldades específicas, e, como um cirurgião qualificado, o professor de idiomas tem de saber qual utilizar ou, não tendo certeza, ter um instrumental vasto o suficiente para tentar diferentes intervenções. 

But things can get worse than that. Lembram-se das recomendações enfáticas que o Olavo de Carvalho fez de sua professora americana de inglês, que o teria ensinado finalmente a ler no idioma? Não conheço o curso que ela oferece, mas seu aluno mais icônico ter afirmado que é impossível ler em outro idioma e entender corretamente sem traduzir para o vernáculo não dá muita credibilidade a seu testemunho. 



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Ser escravo é melhor do que ser sem-terra?

Olavo de Carvalho, no True Outspeak de 7 de dezembro de 2009, aos 18 minutos:

Os sem-terra são uma criação da modernidade...da Revolução Francesa. Antes não tinha sem-terra porque todo o senhor de terras era obrigado a aceitar um camponês que viesse de outra terra e, se não sobrasse mais lugar nenhum para ninguém, tinha [sic] sempre as terras da Igreja, que era [sic] aproximadamente 30% da área total, que era de cultivo livre. Então, ... durante toda a história do Ocidente, não houve um sem-terra antes do advento da "bendita" Revolução Francesa... era o quadrado redondo...

Vejamos o que diz Jacques le Goff em A Civilização do Ocidente Medieval, páginas 21 e 22, sobre o séc. V:

Os camponeses viram-se obrigados a se colocar sob dependência cada vez maior dos grandes proprietários, estes passaram também a ser chefes de grupos armados, e a situação do colono tornava-se cada vez mais próxima da do escravo. Algumas vezes a miséria camponesa transforma-se em jacquerie [Revolta camponesa ocorrida na França em 1358, cuja violência e alcance levou a que fosse tomada como o  modelo de rebelião popular], ...cuja revolta era endêmica nos séculos IV e V.
Página 50:

... Os grandes apropriaram-se do poder econômico, a terra, e, a partir desta base, apropriaram-se dos poderes públicos.

O Concílio de Tours, realizado no fim do reinado de Carlos Magno, constata que: "Por diversos motivos, em diversos locais os bens dos pobres, quer dizer, os bens daqueles que são conhecidos por homens livres mas que vivem sob a autoridade de poderosos magnatas, ficaram muito reduzidos". Eis os grandes, eclesiásticos e laicos, tornando-se mais e mais os novos senhores.


O Olavo não percebe que a relação de vassalagem entre colonos e donos de terras é a "solução" da questão dos sem-terra de então e que representa a perda do status de cidadão romano, com os direitos que isso acarretava, para uma situação de "dependência dinâmica" com os donos de terra, que significa, nas palavras de le Goff, uma relação de quase escravidão. 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Luzia De Frente com Gabi

Luzia, a musa da Nova Direita, em De Frente com Gabi. Atentem para o fato de que
até as câmeras do SBT captaram a aura santa da überconservadora.

- Hoje eu entrevisto uma mulher bonita, inteligente, mas que é liberal-conservadora e por isso só faz fio terra. Eu estou de frente com Luzia, a überconservadora e musa da Nova Direita. Boa noite.

- Boa noite, Gabi. Mas eu quero já deixar claro, de antemão, que, se for verdade que o seu casamento foi de fachada, que você é lésbica e o Gianechinni gay, ele não me representa. Eu sou a favor da família tradicional. Deus fez a mulher gay e o homem lésbico.

- Entendi. Fica registrado. Mas já que você quer começar pegando pesado, eu sei que você é muito católica. O que você tem a dizer sobre as críticas do Gregório Duvivier à Igreja e à Inquisição nas páginas da Folha?

- Tanto Galileu quanto Giordano Bruno não foram condenados por suas teses científicas, mas por heresias derivadas de suas conclusões. As autoridades da época tinham pouca tolerância com quem desrespeita o sagrado e achavam que era aceitável se livrar de maneira definitiva de quem fosse considerado herege, já que isso poderia fazer com que a ira de Deus recaísse sobre a sociedade. Cabia (como ainda cabe) à Igreja determinar se alguém era herege ou não. Caso se verificasse a hipótese de heresia, quem tomava as providências cabíveis eram os representantes do poder local. 

Você poderia até criticar tal conduta, mas tropeçaria no relativismo cultural próprio da ideologia esquerdista de que todas as culturas têm valor igual e os povos têm autodeterminação. Perguntaríamos: A cultura europeia vale menos? O fato de que Giordano Bruno foi queimado vivo por autoridades europeias é errado? De acordo com qual código moral OBJETIVO? Você tem algum para nos apresentar? Por que você defende o direito ao aborto mas é contra queimar pessoas vivas? O feto é menos humano que o condenado?

- Mas então os católicos são relativistas também? Não existe uma moral divina atemporal OBJETIVA, que determine se no passado, no presente e no futuro é certo ou errado mandar matar quem discorda de você?

- Aí você está colocando palavras na minha boca. E essa é uma estratégia diversionista para mascarar o fato dos cristãos serem os mais perseguidos no mundo hoje em dia. Veja o caso dos coptas, no Egito, esses cristãos esquecidos do Oriente.

- Mas me corrija se eu estiver errada: o Concílio de Calcedônia não condenou o monofisitismo dos coptas como heresia, o que legitimou a sua perseguição pelos católicos e fez com que eles sobrevivessem somente no mundo islâmico, onde ser cristão de qualquer denominação era autorizado, desde que não fizessem proselitismo?

- Sim.

- Mas se a perseguição e morte dos hereges é contextualmente aceitável, como foi dito antes sobre a Inquisição, por que a perseguição aos mesmos hereges pelos radicais islâmicos é objetivamente errada?

- Eu acho que você está 
tirando as minhas palavras do contexto para tentar confundir o público. O que eu respondi a uma pergunta estava no contexto daquela pergunta. O que eu respondi à outra pergunta só pode ser entendido no contexto dessa outra pergunta. O que você está fazendo é gramscismo. Eu só não vou dizer que é marxismo cultural ainda porque o Olavo mudou o sistema de classificação recentemente e eu ainda não estou acostumada com ele.




terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O que é ser musa da Nova Direita?

Trecho da entrevista com Luzia, a überconservadora, que será publicada aos poucos neste blog:


- Depois que você saiu nesse blog, veio uma leva de musas conservadoras querendo roubar o seu destaque. Diga para nós: o que é ser musa da Nova Direita?

- Não basta ser bonita e inteligente. Tem que ser também liberal-conservadora. Ou seja, liberar só o fiofó para casar virgem.


Luzia, a überconservadora, a mais antiga mulher do país. 

Este blogueiro riu e recomenda.











segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Eu estudo esse assunto há 40 anos!

É arquievidente que essa onda de calor pela qual o Brasil está passando foi criada pelo Foro de São Paulo, que convenceu o idiota bilionário do George Soros a contratar a tariqa do Schuon para que pedisse aos Sioux que fizessem a dança da quentura para que os estoques de Coca Cola se esgotassem e não tivéssemos mais alternativa senão tomarmos Pepsi com fetos humanos. 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Beijo indecente?

O beijo gay de "Amor à Vida"??


Não, não, não... Houve um outro beijo pouco convencional que não causou reação furiosa entre as olavettes e tupi-neocons em geral. 

Lembram-se daquela mãe cristã e caridosa do Danilo Gentilli, aquela mesma que dirigia uma instituição que teria sido tomada pela administração petista de Santo André?

Pois é... cerca de 1 ou 2 semanas após ele ter contado esse "causo" no Hangout do Lobão, e ainda ter soltado a pérola de que o "povo brasileiro é conservador", a mãe do apresentador apareceu no programa do próprio filho com as pernas de fora e terminou não resistindo e dando um selinho no porn star Alexandre Frota. 





Repulsa conservadora? Nenhuma captada até agora pelos radares deste blog.