Antes das eleições de novembro, Guido Mantega e Armínio Fraga debateram no programa de Miriam Leitão na Globo News. Aquele justificava o desempenho econômico abaixo da expectativa do Governo Dilma apontando para a situação internacional, enquanto Fraga, representando o candidato Aécio Neves, garantia que a crise econômico já havia passado.
Vejamos: o Japão entrou em recessão, já em meados de novembro a Zona do Euro "continuava estancada" e Cameron já está à espera de um novo crash econômico.
Fraga é o cara. De pau.
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segunda-feira, 17 de novembro de 2014
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Obama, save us from the Xepa Bag.
Há um abaixo-assinado no site do governo americano pedindo à Administração Obama uma position in relation to communist expansion in Latin America. Milhares de olavettes assinaram a solicitação, que foi criada na plataforma We the People - Your Voice in Our Government. No entanto, se o leitor der uma olhada nas FAQ do site encontrará a seguinte explicação de sua finalidade (com meus destaques em negrito):
As olavettes parecem ter herdado do mestre essa dificuldade com o idioma, pois o problema não está somente no conteúdo da petição, mas também na sua gramática. Referem-se a Dilma com "his", separam sujeito de verbo com uma vírgula, erram a regência dos verbos "want" e "need", usam "lose" de forma inapropriada, etc. Nem o Google Translator, em cooperação com os vendedores chineses do AliExpress, conseguiria destruir o inglês dessa forma.
What is the purpose of We the People?
We the People is a new, easy way for Americans to make their voice heard in our government. It is a platform on the White House website where individuals can create and sign petitions that call for action by the federal government on a range of issues facing our nation. If a petition gathers enough signatures, it will be reviewed by White House staff and receive an official response. We the People helps the White House understand the views of the American people and have a focused and civil conversation with them.
Os trechos em negrito deixam claro (se já não bastasse o your voice in our government): a plataforma foi criada pelo governo americano para os americanos, e não para estrangeiros, e muito menos para olavettes brasileiras, que parecem ter se esquecido de que estão pedindo ao governo de alguém que, segundo eles, seria um queniano homossexual gayzista, cripto-muçulmano e comunista, que tome uma posição contrária a um governo gayzista, filo-islâmico e comunista...
E a tal nascente "elite cultural brasileira" não sabe nem mesmo redigir uma petição. No título, pedem ao Governo Obama que se posicione contra a expansão comunista no Brasil promovida pelo governo de Dilma Rousseff, mas, na conclusão, pedem uma posição (contra ou a favor, tanto faz) da Casa Branca em relação à expansão comunista na América Latina. É a petição das olavettes doidas (desculpem-me pela redundância: é a petição das olavettes).
A propósito, eu jamais ouvi o Olavo de Carvalho discorrer sobre um assunto em língua inglesa sem que ele estivesse evidentemente, e de forma constrangedora, lendo, mas tentando passar a falsa impressão de estar improvisando (como na entrevista a William H. Kennedy). No nome de seu antigo radio show, ele conseguiu até mesmo realizar a façanha de adjetivar um verbo (outspeak é verbo, portanto não pode ser modificado pelo adjetivo true).
As olavettes parecem ter herdado do mestre essa dificuldade com o idioma, pois o problema não está somente no conteúdo da petição, mas também na sua gramática. Referem-se a Dilma com "his", separam sujeito de verbo com uma vírgula, erram a regência dos verbos "want" e "need", usam "lose" de forma inapropriada, etc. Nem o Google Translator, em cooperação com os vendedores chineses do AliExpress, conseguiria destruir o inglês dessa forma.
Mas a minha pérola preferida foi terem traduzido "Bolsa Família" como food allowance. O Bolsa Família segundo as olavettes: uma vez por mês, o cidadão leva uma sacola e seu cartão do programa até uma agência bancária, insere o cartão no caixa eletrônico e, ao digitar sua senha, a máquina começa a expelir pacotes de arroz Tio João, latas de ervilhas Jurema e goiabada Seara. É a Cornucópia 24 Horas da "Bolsa Xepa".
Obama, save us from the Xepa Bag!
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Neuróticos constróem castelos no ar. Psicóticos moram neles.
O Bolsa Família só se justifica se for um benefício emergencial e
pontual, como no caso do seguro-desemprego. Aécio queria ir mais longe
que o PT e transformá-lo em um direito PERMANENTE.
Os brasileiros tiveram de escolher entre dois projetos socialistas, sendo que, em certos aspectos, como o do Bolsa Família, o projeto do Aécio era mais radicalmente socializante que o do PT.
FHC aumentou a carga tributária 9 vezes mais do que o PT. E multiplicou a dívida pública, que diminuiu sob Lula e Dilma.
Os brasileiros tiveram de escolher entre dois projetos socialistas, sendo que, em certos aspectos, como o do Bolsa Família, o projeto do Aécio era mais radicalmente socializante que o do PT.
FHC aumentou a carga tributária 9 vezes mais do que o PT. E multiplicou a dívida pública, que diminuiu sob Lula e Dilma.
Durante a campanha, Aécio falava em fazer muito mais creches do que
Dilma, e expandir o Minha Casa, Minha Vida e o sistema de cotas.
Apesar de tudo isso, o Aécio do imaginário anti-petista era uma espécie de bebê de proveta gestado no ventre de Margaret Thatcher com espermatozóides de Adam Smith: a encarnação do ideário liberal-conservador.
Se você votou no Aécio convicto de que ele era a expressão máxima do anti-petismo, confundindo de forma tão evidente realidade com imaginação, não deve ser difícil para você agora procurar consolo chorando no ombro do seu amigo imaginário.
Apesar de tudo isso, o Aécio do imaginário anti-petista era uma espécie de bebê de proveta gestado no ventre de Margaret Thatcher com espermatozóides de Adam Smith: a encarnação do ideário liberal-conservador.
Se você votou no Aécio convicto de que ele era a expressão máxima do anti-petismo, confundindo de forma tão evidente realidade com imaginação, não deve ser difícil para você agora procurar consolo chorando no ombro do seu amigo imaginário.
domingo, 19 de outubro de 2014
Aécio, Fraga e o governo em camadas.
Armínio Fraga, em preparação para a possível vitória de Aécio Neves, foi a Nova Iorque supostamente para tratar, na sede da J. P. Morgan, de sua saída da Gávea Investimentos, que é controlada pela gigante financeira americana desde 2010.
Essa é a mesma J. P. Morgan que teria financiado a ascensão dos revolucionários russos, segundo Antony C. Sutton em "Wall Street and the Bolshevik Revolution".
E esse é o mesmo Fraga que "deixou um salário de cerca de US$ 60 mil por mês em honorários", quando trabalhava para George Soros, para, humildemente e movido por um enorme desprendimento em favor de nosso país, "receber cerca de R$ 7 mil como funcionário do primeiro escalão do governo FHC" (espero que, ao deixar a Gávea, ele se dê por satisfeito com uns 20 mil reais líquidos hoje em dia, que é equivalente ao salário de um mero gerente de multinacional). Se o PIB ficou emperrado, enquanto a arrecadação e a dívida pública brasileira dispararam no Governo FHC, deve ter sido uma infeliz coincidência, não porque o mercado financeiro tenha se beneficiado de alguma forma de sua política econômica.
A propósito, Armínio Fraga era, em junho de 2003 - veja o quadro na 2ª página dessa publicação oficial -, membro do globalista Inter-American Dialogue, ao qual ainda pertencem FHC e Marina Silva.
Fraga trabalhou também no Salomon Brothers e no Banco Garantia. Não sei ao certo se ele trabalhou no primeiro antes ou depois do escândalo financeiro. Também não sei ao certo se ele trabalhou no segundo antes ou depois do... escândalo financeiro. Mas sei que ele é membro do Group of Thirty, do CFR, e que foi cotado para ser presidente do FED no governo Obama.
Sendo assim, caso Aécio Neves vença a eleição presidencial, uma análise mais aprofundada de seu governo exigirá a percepção das camadas que o irão compor:
Parte visível:
Gerente/Presidente-embalagem: Aécio Neves.
Presidente de fato: Armínio Fraga.
Parte invisível: CFR, Inter-American Dialogue, Group of Thirty, grandes bancos e fundos de investimentos.
Essa "parte invisível" é curiosamente composta de todos aqueles que os conservadores gostam de chamar de seus inimigos. Apesar de estarem votando efusivamente em Aécio.
Essa é a mesma J. P. Morgan que teria financiado a ascensão dos revolucionários russos, segundo Antony C. Sutton em "Wall Street and the Bolshevik Revolution".
E esse é o mesmo Fraga que "deixou um salário de cerca de US$ 60 mil por mês em honorários", quando trabalhava para George Soros, para, humildemente e movido por um enorme desprendimento em favor de nosso país, "receber cerca de R$ 7 mil como funcionário do primeiro escalão do governo FHC" (espero que, ao deixar a Gávea, ele se dê por satisfeito com uns 20 mil reais líquidos hoje em dia, que é equivalente ao salário de um mero gerente de multinacional). Se o PIB ficou emperrado, enquanto a arrecadação e a dívida pública brasileira dispararam no Governo FHC, deve ter sido uma infeliz coincidência, não porque o mercado financeiro tenha se beneficiado de alguma forma de sua política econômica.
A propósito, Armínio Fraga era, em junho de 2003 - veja o quadro na 2ª página dessa publicação oficial -, membro do globalista Inter-American Dialogue, ao qual ainda pertencem FHC e Marina Silva.
Fraga trabalhou também no Salomon Brothers e no Banco Garantia. Não sei ao certo se ele trabalhou no primeiro antes ou depois do escândalo financeiro. Também não sei ao certo se ele trabalhou no segundo antes ou depois do... escândalo financeiro. Mas sei que ele é membro do Group of Thirty, do CFR, e que foi cotado para ser presidente do FED no governo Obama.
Sendo assim, caso Aécio Neves vença a eleição presidencial, uma análise mais aprofundada de seu governo exigirá a percepção das camadas que o irão compor:
Parte visível:
Gerente/Presidente-embalagem: Aécio Neves.
Presidente de fato: Armínio Fraga.
Parte invisível: CFR, Inter-American Dialogue, Group of Thirty, grandes bancos e fundos de investimentos.
Essa "parte invisível" é curiosamente composta de todos aqueles que os conservadores gostam de chamar de seus inimigos. Apesar de estarem votando efusivamente em Aécio.
terça-feira, 7 de outubro de 2014
A direita naécia pagando mico.
A "nova direita" está toda empolgada porque o Aécio Neves chegou ao 2º turno das eleições presidenciais. Mas existe o Aécio do mundo real e aquele do imaginário anti-petista. Qualquer um que tenha prestado atenção ao que ele disse em um passado recente, que compare os dados econômicos de FHC aos de Lula e Dilma, e que se dê ao trabalho de ler o programa que o candidato registrou no TSE, percebe a total insanidade que tomou conta dessa direita nécia tupiniquim.
Vejamos de que se trata o Aécio de carne e osso:
Aécio Neves, o candidato do clã dos Rothschild (que todo bom conservador americano abomina, até porque é uma família historicamente envolvida nas origens do "central banking" - o que foi condenado ferrenhamente por um certo Mises, que a "nova direita" adora recomendar em debates com marxistas mas parece nunca ter lido - e explicitamente associada ao satanismo, como no caso dos colares exibidos publicamente por Philippine de Rothschild), no Roda Viva de 2010:
Ele falou bastante sobre a eleição, disse que o partido retrocedeu ao defender bandeiras conservadoras, como no caso da discussão do aborto, o que, segundo ele, aproximou o partido da direita. Para ele, PSDB precisa voltar a ser uma referencia de centro-esquerda no país, se aproximar dos setores mais populares. Brincou, dizendo que o PSDB hoje, apesar disso, ainda é mais de esquerda que o governo do Lula.
Dívida Pública:
Vejamos de que se trata o Aécio de carne e osso:
Aécio Neves, o candidato do clã dos Rothschild (que todo bom conservador americano abomina, até porque é uma família historicamente envolvida nas origens do "central banking" - o que foi condenado ferrenhamente por um certo Mises, que a "nova direita" adora recomendar em debates com marxistas mas parece nunca ter lido - e explicitamente associada ao satanismo, como no caso dos colares exibidos publicamente por Philippine de Rothschild), no Roda Viva de 2010:
Ele falou bastante sobre a eleição, disse que o partido retrocedeu ao defender bandeiras conservadoras, como no caso da discussão do aborto, o que, segundo ele, aproximou o partido da direita. Para ele, PSDB precisa voltar a ser uma referencia de centro-esquerda no país, se aproximar dos setores mais populares. Brincou, dizendo que o PSDB hoje, apesar disso, ainda é mais de esquerda que o governo do Lula.
Agora vejamos o Plano de Governo registrado oficialmente no TSE pela candidatura de Aécio Neves. Em meio a clichês politicamente corretos, dignos de alguém que defende que seu partido volte "a ser uma referência de centro-esquerda no país", destaco o seguinte trecho, sobre carga tributária:
...Assim, aumentar a carga tributária deixou de ser uma opção viável para o financiamento das políticas públicas, mas há espaço para uma melhoria substancial no nosso sistema tributário, que é extremamente complexo e distorcido.
...Assim, aumentar a carga tributária deixou de ser uma opção viável para o financiamento das políticas públicas, mas há espaço para uma melhoria substancial no nosso sistema tributário, que é extremamente complexo e distorcido.
Percebam que ele não diz que irá baixar a carga tributária (e voltaremos a esse assunto abaixo), mas somente que há espaço para simplificar a burocracia. No capítulo sobre Segurança Pública não há uma única palavra sobre facilitar o porte de armas para civis, mas, no capítulo sobre Energia, há a referência a "estimular uma Economia de Baixo Carbono", e, em Sustentabilidade e Meio Ambiente, ele abraça o conceito de "Cidadania Planetária" - Aécio Neves, o Capitão Planeta 2.0!
Enfim, são 76 páginas de um programa de centro-esquerda empolgando uma "nova direita" que se diz muito mais intruída e inteligente que a esquerda, mas que não se deu ao trabalho de ler o programa do candidato que defende.
"Ah, mas a administração FHC foi muito mais eficiente! "
Sinto muito, mas não é verdade! Além do vergonhoso apagão, todos os índices econômicos do período de administração petista foram - admito isso sem ter nenhuma simpatia pelo PT, e muito pelo contrário - superiores ao do governo FHC. E provo:
Carga tributária:
Carga tributária:
![]() |
| http://democraciapolitica.blogspot.com.br/2014/07/fhcpsdb-elevou-carga-tributaria-nove.html |
Diante desse gráfico, fica ainda mais aviltante esse comentário do candidato no Programa de Governo que registrou no TSE:
O Brasil é um país de elevada carga tributária para seu nível atual de desenvolvimento. Temos uma carga tributária de 36% do PIB num país com PIB per capita de R$ 24 mil. Em geral, países com carga tributária semelhante à nossa têm um PIB per capita quase três vezes superior.
Sim, mas isso foi obra do PSDB!
Inflação e PIB:
![]() |
| http://www.estadao.com.br/fotos/PIB_INFLA_portal.jpg |
Dívida Pública:
![]() |
| http://democraciapolitica.blogspot.com.br/2011/03/lembrando-fhc-divida-interna-e-externa.html |
Então é disso que se trata o candidato que tem empolgado a direita nacional: assumidamente de centro-esquerda, não querendo abraçar causas conservadoras ou sequer parecer conservador, ligado ao que há de pior na tal elite "metacapitalista" internacional, que tem um programa de governo oficial de centro-esquerda e cujo partido se destaca por ter passado pelo Governo Federal com um aumento da carga tributária e da dívida pública e uma inflação superiores ao do período Lula/Dilma, e com um PIB inferior.
É a direita naécia pagando mico.
É a direita naécia pagando mico.
domingo, 14 de setembro de 2014
Arrumando o que fazer na Romênia.
"O modernismo de Olavo de Carvalho", publicado no site da Associação Montfort, expõe claramente a divergência entre o que o pensador diz ser o Cristianismo e o que a Igreja diz a respeito. Segundo Olavo de Carvalho, o Cristianismo não era, em sua origem, uma doutrina, mas uma série de fatos e, sobretudo, fatos miraculosos. Ele foi ainda mais longe no Facebook e, implicitamente, negou a autoridade da Tradição da Igreja Católica, a que diz pertencer:
Disse ele que levou "décadas para entender uma coisa tão óbvia", sendo que ele já havia dito a mesma coisa sobre a suposta centralidade do milagre no Cristianismo.
Ora, a idéia de que o milagre tem papel essencial nessa tradição, em oposição ao que ocorre no Islã, já havia sido afirmada anteriormente por Frithjof Schuon, antigo mestre "espiritual" de Olavo de Carvalho, que foi o representante oficial (muqaddam) de Schuon no Brasil! Ele não levou décadas refletindo sobre isso: ele aprendeu nos livros, e talvez mesmo "aos pés" do antigo mestre.
Já a afirmação de que Jesus não teria pregado uma doutrina - a despeito de se afirmar o contrário nos Evangelhos! - eu não lembro de ter lido em Schuon. Mas isso foi repetido por Andrei Plesu, amigo de Olavo de Carvalho, em um livro romeno de 2012 em que interpreta, de forma aparentemente questionável - a julgar pelo que diz a resenha a que tive acesso - as parábolas proferidas por Jesus. Segundo essa resenha, Plesu afirma, na página 211 de dito livro, que "Jesus não parece ter se preocupado em construir uma doutrina".
Andrei Plesu, além de maçon, é um grande admirador do falecido André Scrima, padre ortodoxo que participou do Vaticano II e tinha claras influências perenialistas. Como já foi dito neste blog, o perenialismo guenoniano nada mais é que uma forma renovada da antiga e herética seita islâmica do Ismailismo, que, por sua vez, ensina a angelologia que Plesu importou e tornou essencial em sua visão do que seria o Cristianismo (vejam o índice de seu livro "On Angels", que se revela uma clara adaptação dos ensinamentos cristãos à angelologia ismailita exposta por Henri Corbin).
Há, na Romênia, duas organizações iniciáticas que foram criadas sob influência perenialista (e Plesu parece ser ou ter sido membro de uma delas ou até mesmo de ambas): a Fraternidade de Hyperion - ou Fraternity of Hyperion, se quiser encontrar mais informações em inglês - e a Rugul Aprins, da qual Scrima era membro.
Participar de uma dessas organizações parece ser a única explicação plausível para o estranho e frequente afluxo de perenialistas brasileiros por aquelas paragens.
Disse ele que levou "décadas para entender uma coisa tão óbvia", sendo que ele já havia dito a mesma coisa sobre a suposta centralidade do milagre no Cristianismo.
Ora, a idéia de que o milagre tem papel essencial nessa tradição, em oposição ao que ocorre no Islã, já havia sido afirmada anteriormente por Frithjof Schuon, antigo mestre "espiritual" de Olavo de Carvalho, que foi o representante oficial (muqaddam) de Schuon no Brasil! Ele não levou décadas refletindo sobre isso: ele aprendeu nos livros, e talvez mesmo "aos pés" do antigo mestre.
Já a afirmação de que Jesus não teria pregado uma doutrina - a despeito de se afirmar o contrário nos Evangelhos! - eu não lembro de ter lido em Schuon. Mas isso foi repetido por Andrei Plesu, amigo de Olavo de Carvalho, em um livro romeno de 2012 em que interpreta, de forma aparentemente questionável - a julgar pelo que diz a resenha a que tive acesso - as parábolas proferidas por Jesus. Segundo essa resenha, Plesu afirma, na página 211 de dito livro, que "Jesus não parece ter se preocupado em construir uma doutrina".
Andrei Plesu, além de maçon, é um grande admirador do falecido André Scrima, padre ortodoxo que participou do Vaticano II e tinha claras influências perenialistas. Como já foi dito neste blog, o perenialismo guenoniano nada mais é que uma forma renovada da antiga e herética seita islâmica do Ismailismo, que, por sua vez, ensina a angelologia que Plesu importou e tornou essencial em sua visão do que seria o Cristianismo (vejam o índice de seu livro "On Angels", que se revela uma clara adaptação dos ensinamentos cristãos à angelologia ismailita exposta por Henri Corbin).
Há, na Romênia, duas organizações iniciáticas que foram criadas sob influência perenialista (e Plesu parece ser ou ter sido membro de uma delas ou até mesmo de ambas): a Fraternidade de Hyperion - ou Fraternity of Hyperion, se quiser encontrar mais informações em inglês - e a Rugul Aprins, da qual Scrima era membro.
Participar de uma dessas organizações parece ser a única explicação plausível para o estranho e frequente afluxo de perenialistas brasileiros por aquelas paragens.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Ponerologia vs. Ponerology
Um amigo me chamou a atenção para a capa do livro Ponerologia: Psicopatas no Poder, recentemente lançado pela Vide Editorial:
Nessa edição brasileira, tem-se uma estilização da sede do nosso Congresso. Pode-se ver ao centro, encimando o que seriam as duas torres de escritórios, o punho cerrado utilizado comumente para representar a combatividade das esquerdas e, nas cúpulas das duas câmaras, o que parece ser a vista do Kremlin, à esquerda - ou a administração Putin (?) - e o Capitólio americano, à direita - ou a administração Obama (?).
Pelo texto do prefácio escrito por Olavo de Carvalho e reproduzido parcialmente no site da editora, e conhecendo-se o que ele diz dos dois líderes políticos citados, creio que não seria imprudente remover os pontos de interrogação acima:
Não é preciso nenhum estudo especial para saber que, invariavelmente, o discurso comunista, pró-comunista ou esquerdista é cem por cento baseado na exploração da compaixão e da culpa. Isso é da experiência comum...
Agora vejamos a capa da edição americana:
As duas capas não parecem expressar exatamente o mesmo conteúdo, sobretudo com trechos como esses abaixo, que retirei do site dedicado à edição original (minha tradução):
... As pessoas que perderam a capacidade de raciocínio lógico (e, portanto, a capacidade de distinguir a verdade da mentira) são portanto mais inclinadas a aceitar a paralógica e a paramoral dos psicopatas e caracteropatas. Observe, por exemplo, o comportamento da "Direita Cristã" e sua aceitação acrítica da propaganda de guerra.
... A busca da verdade revela fatos "inconvenientes", ou seja, moralmente constrangedores. Por exemplo, os senhores de escravos cristãos sendo lembrados de que manter escravos não é uma atividade muito cristã; ou americanos que normalmente não seriam preconceituosos sendo informados de que os dólares de seus impostos estão sendo gastos para finalidades racistas, ou seja, para a limpeza étnica dos palestinos nas terras cobiçadas pelos sionistas. As sociedades hedonistas reprimem o fato de que se beneficiam do sofrimento alheio.
Não corra riscos! A edição americana para Kindle está sendo vendida por meros R$ 23,23 na Amazon brasileira.
Nessa edição brasileira, tem-se uma estilização da sede do nosso Congresso. Pode-se ver ao centro, encimando o que seriam as duas torres de escritórios, o punho cerrado utilizado comumente para representar a combatividade das esquerdas e, nas cúpulas das duas câmaras, o que parece ser a vista do Kremlin, à esquerda - ou a administração Putin (?) - e o Capitólio americano, à direita - ou a administração Obama (?).
Pelo texto do prefácio escrito por Olavo de Carvalho e reproduzido parcialmente no site da editora, e conhecendo-se o que ele diz dos dois líderes políticos citados, creio que não seria imprudente remover os pontos de interrogação acima:
Não é preciso nenhum estudo especial para saber que, invariavelmente, o discurso comunista, pró-comunista ou esquerdista é cem por cento baseado na exploração da compaixão e da culpa. Isso é da experiência comum...
Agora vejamos a capa da edição americana:
As duas capas não parecem expressar exatamente o mesmo conteúdo, sobretudo com trechos como esses abaixo, que retirei do site dedicado à edição original (minha tradução):
... As pessoas que perderam a capacidade de raciocínio lógico (e, portanto, a capacidade de distinguir a verdade da mentira) são portanto mais inclinadas a aceitar a paralógica e a paramoral dos psicopatas e caracteropatas. Observe, por exemplo, o comportamento da "Direita Cristã" e sua aceitação acrítica da propaganda de guerra.
... A busca da verdade revela fatos "inconvenientes", ou seja, moralmente constrangedores. Por exemplo, os senhores de escravos cristãos sendo lembrados de que manter escravos não é uma atividade muito cristã; ou americanos que normalmente não seriam preconceituosos sendo informados de que os dólares de seus impostos estão sendo gastos para finalidades racistas, ou seja, para a limpeza étnica dos palestinos nas terras cobiçadas pelos sionistas. As sociedades hedonistas reprimem o fato de que se beneficiam do sofrimento alheio.
Não corra riscos! A edição americana para Kindle está sendo vendida por meros R$ 23,23 na Amazon brasileira.
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