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domingo, 6 de julho de 2014

O Novo Aeon conservador

O pensamento conservador tem se expandido mais visivelmente no país nos últimos anos, e, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, tem feito isso com um discurso deveras ultrapassado, pois marcadamente cristão.

É, portanto, louvável a iniciativa do recém-criado Instituto Cultural Lux & Sapientia, que oferece cursos, aulas particulares e consultas astrológicas e que possui os conservadores brasileiros como público principal. Fugindo à mentalidade tacanha que impera no meio, propaga idéias que podem ser vistas como hereticamente gnósticas, e por isso mesmo satanistas, pelos conservadores cristãos mais empedernidos.

Para tornar mais evidente sua relevância inquestionavelmente revolucionária para o meio, faço aqui uma exposição de algumas das idéias defendidas pelos seus 4 atuais professores, idéias essas que devem ser essenciais para se entender os seus cursos, já que parecem pautar também suas próprias vidas. Para que fique claro o aspecto arrojado do grupo, inicio com uma breve introdução ao pensamento cristão mais mainstream sobre a aquisição do Conhecimento dos Princípios Primeiros e das virtudes dos santos.

Segundo Gênesis 3:


3 Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?

2 Respondeu a mulher á serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer,3 mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais.

4 Disse a serpente á mulher: Certamente não morrereis.5 Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.

6 Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu.

7 Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; pelo que coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais...


Os leitores já devem saber como essa narrativa termina: Deus não gosta nada do que fizeram, etc., etc., e cá estamos nós.

Ou seja, ao cristão, independentemente de sua intenção, é vedado o acesso ao Conhecimento direto do "bem e do mal", sobretudo se isso significar ir, colher e comer o fruto por decisão pessoal. Deus não quer e ponto! O fiel tem de se colocar em uma situação menor, de humildade diante da Toda Poderosa Divindade, e pegar as gotas de sabedoria que Ela decida deixar respingar em suas pequenas criaturas. Ou seja: os cristãos dependem da tal da Graça Divina!

É o que se vê também na busca das virtudes dos santos. Em suas Moradas, Sta Teresa de Ávila dá as seguintes recomendações, muito bem resumidas na Wikipedia americana: a alma do fiel, para atingir a perfeição dos santos, deve buscar a Graça Divina através da humildade e, além disso, fazer obras caridosas para os homens com a finalidade última da glória de Deus.

Os Exercícios Espirituais de Sto Inácio de Loyola também colocam o ser humano na dependência do Divino: o Primeiro Passo é postar-se na presença de Deus, e o Segundo consiste em pedir Sua Graça.

Mas essa auto-humilhação diante da Divindade Onipotente parece estar com os dias contados entre os conservadores por aqui. Mais do que uma simples instituição cultural, eu diria que o ICLS é um verdadeiro jardim: o da Árvore do Conhecimento. Nele, o Conhecimento superior e as virtudes dos santos é a finalidade e a iniciativa de Eva é o método empregado, como se depreende da exposição das idéias e influências de seus membros:  


Luiz Gonzaga de Carvalho Neto: co-fundador e principal intelectual do ICLS, tem uma admirável aula sobre os Princípios de Cosmologia Tradicional disponível gratuitamente no Youtube. Na altura do 40º minuto, ele compara a aquisição da beatitude dos santos à busca do Conhecimento, e explica que não basta aspirá-lo. O indivíduo deve ir além da mera aspiração e passar para um esforço pessoal, ativo, de busca pelas "raízes do entendimento nele mesmo”, em um movimento de interiorização “descendente”. E não limita esse método somente à aquisição do Conhecimento, mas diz que esse é também o processo de aquisição das virtudes empregado pelos santos.

Rafael Falcón: professor de latim, com o qual já tive alguns arranca-rabos no passado, realmente me surpreendeu no vídeo gravado pelos 4 cavaleiros (ou seria cavalheiros? Sempre me confundo...) e sinto-me obrigado a lhe pedir desculpas em público pela minha incompreensão de seu inestimável valor.

A minha mudança de posição veio da audição de suas sábias palavras no Hangout gravado pelos professores do ICLS: conforme ele explica, também lá pelo 40º minuto, interessou-se pelo conhecimento, ainda quando muito jovem, graças aos tios, que eram adeptos da New Age e ajudaram a lhe despertar, entre outras coisas e sobretudo, o interesse pela Magia. Diz ele que o mago “se eleva acima do seu ambiente” (se eleva = eleva-se = eleva a si mesmo), e que isso é que o atraía nessa figura, pois ele também queria ser “mais,... melhor”.

Aos 14 anos, voltou-lhe um interesse de natureza semelhante, mas na forma de uma busca por um “passado misterioso, e que comporta um certo poder... o poder do oculto, do abandonado”, que foi, segundo suas palavras, o que o levou a estudar latim. Ele complementa dizendo que o conhecimento sempre lhe “apareceu muito ligado à idéia de [P]oder,... como um modo superior de [P]oder,... que saia, de fato, do fundo do ser”, um Poder que, portanto, advém de si mesmo.

Felipe Scagliusi: esse é um jovem e consagrado pianista, que atua também como professor de piano nesse instituto. Eu nada sabia sobre ele além da apresentação oferecida no site da própria instituição, que me pareceu muito convencional para um instituto tão diferenciado, tão espiritual. Então decidi tentar descobrir mais a seu respeito através do Google.

Além do que encontrei sobre suas apresentações e qualidade musical, chamou-me atenção seu depoimento ao site da Companhia do Ser (grifos meus):

"Quero agradecer imensamente a todos na maravilhosa Companhia do Ser! Foi um ano de muita ampliação pessoal em todos os sentidos e eu devo isso à todos vocês e especialmente ao apoio lindo do querido Gabriel Saananda! Quando os procurei para começar a me familializar [sic] com o até então tão misterioso universo do tantra, mal sabia eu a imensidão de tudo que me aguardava. Muito obrigado por tudo que vocês me proporcionam e por todo o carinho que sempre tiveram comigo"
Felipe Scagliusi

Fiquei, então, muito curioso em saber quem são Gabriel Saananda, a tal Companhia do Ser, e de que consiste o trabalho que oferecem e que impressionou tão positivamente  ilustre pianista. Segue abaixo o que encontrei:

Gabriel Saananda: argentino radicado no Brasil, é “discípulo de Osho desde 1984”, colaborador do Centro Osho da Patagônia, e possui “longa experiência em Retiros Formativos e Processos Terapêuticos ao longo de sua carreira como Osho Terapeuta”, sendo “coodenador de centros de meditação do Mestre Osho há mais de 20 anos”. Tendo sido “diretor e fundador do Instituto Osho Delight, ... dirige a Companhia do Ser, com o intuito de unir o melhor em  terapia corporal á meditação e ao encontro com o sagrado”.

O depoimento do Sr. Felipe Scagliusi na página da Companhia do Ser se refere aos “Frutos colhidos de nosso Laboratório Intermediário de Formatividade Tântrica”. Segundo o site da Companhia do Ser, esses laboratórios são oferecidos em 3 níveis: básico, intermediário e avançado. O intermediário, concluído pelo Sr. Scagliusi, consiste no seguinte:

Laboratório Intermediário: entre 6 e 8 encontros. Este é um grupo fechado onde o compromisso de participação mensal é obrigatório, permitindo que a intimidade e confiança dos participantes sejam desenvolvidas, podendo assim trabalhar mais profundamente nas dificuldades emocionais de cada um e aprofundando nas experiências com a energia sexual, aprendendo a descrever o que sentimos, a dar receber. Exercícios taoístas e tântricos avançados, e treinamento multiorgástico fazem parte desta fase.
Uma vez que conheça o centro de seu prazer, você será mais capaz de dividir esse prazer com outra pessoa. Nisso se resume o Tantra: você precisa perceber o que você é, através do conhecimento de você mesmo e de seus prazeres; pois só então poderá dar o prazer que procura e aceitar o prazer que lhe é dado.

No estágio inicial e no Intermediário, segundo o mesmo link, “não se produzem encontros sexuais diretos”, mas quem completa o segundo já está habilitado para fazer o Avançado:

Laboratório Avançado: uma vez compreendido o processo sobre si mesmo, descoberto o prazer do amor tântrico ou o amor meditativo, é possível ter encontros sexuais mais diretos, sem que os velhos condicionamentos tomem conta do momento. Aqui é possível realmente deixar que a energia tântrica aconteça de forma curativa. Os órgãos sexuais tornam-se calmos, satisfeitos, desmagnetizados de forma tão perfeita como num orgasmo, enquanto o resto do corpo de cada parceiro vibra, brilha com um maravilhoso vigor e uma alegria consciente, ou ainda mais, com um doce e profundo contentamento, tendendo invadir todo o ser com um amor pleno, e com uma sensação final de pureza, plenitude e bem-estar.

Tales de Carvalho: é um dos dirigentes do Instituto, irmão de Luiz Gonzaga e filho de Olavo de Carvalho. É realmente notável que o fato de ser muçulmano tenha sido aceito pelo público mais empolgado com a nova instituição, dado o perfil predominantemente anti-islâmico desse pessoal. É também notável que, apesar de sua religião, não só recomende enfaticamente as aulas de piano com o Sr. Scagliusi, mas também, conforme diz no já citado Hangout dos professores, faz muito gosto de que sua filha faça aulas de piano com alguém que, como vimos, é praticante de sexo tântrico. 


São realmente novos tempos, meus caros, em que até mesmo os religiosos mais conservadores se livram de certos preconceitos e se abrem para o diferente, deixando para trás certas amarras da religião e indo em busca, por si mesmos, do Conhecimento que lhes foi negado pelo Deus de Abraão. 

Estamos em uma Nova Era, em um Novo Aeon!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Sim, não, não, sim.

Quer dizer que ele só descobriu recentemente que o filho é muçulmano?!

Estranho isso! A troca de e-mails entre nós dois e entre mim e sua esposa sobre, entre outras coisas, a tariqa que o filho coordenava aqui no Brasil e da qual eu fazia parte, isso já em 2005, deve ser alucinação minha.

O pior é que estou olhando para essa alucinação na outra tela neste exato momento e ela me parece tão real...


Curioso é que essa imaginária troca de e-mails teria sido motivada pelo fato de eu ter falado da minha conversão no Orkut e ele e sua esposa terem se achado no direito de se meter na questão. Ele, que tenta se justificar dizendo que não se mete na vida religiosa do filho, não hesitou em fazê-lo quando se tratava de um colaborador. 

Falsa cronologia e falsa justificativa. Sorry, mas procure não se meter na vida alheia da próxima vez. Foi fazer isso e, sem querer, documentou a prova de sua mentira.

A propósito:

"Sim, sim, não, não", ordenava Jesus Cristo: "O mais é conversa do demônio."
Quem quer que use a linguagem da contradição estupefaciente desqualifica-se no ato, não só como pregador da doutrina de Cristo, mas como simples interlocutor honesto e digno de crédito. 

http://www.olavodecarvalho.org/semana/101011dc.html

A força do homem são está na unidade da sua alma; a do sociopata, na impossibilidade de unificar-se, que o leva a espalhar a dubiedade e a confusão por onde passe. A primeira é idêntica à "simplicidade" bíblica; a segunda, à complexidade irremediável de uma ruptura interna que se automultiplica indefinidamente. A primeira reflete o "sim, sim - não, não" do mandamento de Jesus; a segunda é a voz do "bilingüis maledictus", o homem de língua bífida incapaz de dizer sem desdizer.


Oh, sure!

domingo, 22 de junho de 2014

Porque quem gosta de jegue é nordestino.

A partir de hoje eu só converso sobre política com "conservadores" brasileiros que disserem ter lido esse artigo. Eu cansei de gente tapada, que não conhece a polissemia do termo "conservador" e imagina que o único sentido que ele possui é o atribuído pelos americanos (que chamam de liberais os esquerdistas, aliás).

Também só converso sobre Roger Scrutton com quem souber da ligação dele com a indústria tabagista japonesa e conhecer seu livro pró-ambientalismo. 

E só falo sobre as críticas do novo Papa ao capitalismo - nas quais foi apoiado pelo Papa emérito - com "conservadores" e católicos que conheçam a Doutrina Social da Igreja (se eu, que nem católico sou, conheço...). 

O filósofo paratleta

Quem acompanha a "olavosfera" deve se lembrar de efusiva recomendação que o Olavo fez das aulas de inglês da Profa. Magarita Noyes. Ele teria, segundo seu testemunho, finalmente aprendido a ler no idioma. Corroborando essa informação, temos esse anúncio no site do Seminário de Filosofia, em que se encontra o seguinte:
"Atualmente, Margarita também trabalha como professora particular de inglês de Olavo de Carvalho, utilizando o mesmo método no qual o curso Inglês para Estudantes de Filosofia será baseado."



Qual o método utilizado no curso "Inglês para Estudantes de Filosofia"? Do mesmo link:


"O método de ensino é o da leitura lenta acompanhada de comentários, através dos quais a professora Margarita Noyes explorará aspectos lingüísticos e auxiliará a compreensão aprofundada do assunto em questão."




Um outro anúncio, de 2012, traz ainda mais informações sobre o método utilizado por ela:
"A professora Margarita tem um estilo único de ensinar que combina material literário de qualidade com o ensino das estruturas, dos modos de expressão, das expressões idiomáticas e das formas de pensamento contidas na língua inglesa. Assim, estudando com a professora, os estudantes matam dois coelhos com uma cajadada só: enquanto escutam, lêem e aprendem textos literários de alta qualidade e absorvem o conteúdo que ali está, também aprendem o inglês de maneira fácil e interessante..."




Pelo que sei, ela não fala português e, pelo que se depreende das informações sobre seu método, tampouco incentiva a tradução para a compreensão do texto (e nem teria como saber se a tradução está correta se não conhece o idioma de chegada).




No entanto, vejamos o que seu mais ilustre aluno diz fazer para entender o que lê em outro idioma:




"... Eu sempre faço isso! Todo mundo diz que, quando você está aprendendo uma língua estrangeira, você tem que pensar na língua estrangeira... Eu estou com 65 anos! Eu nunca consegui pensar numa língua estrangeira, a não ser quando estou conversando! Mas agora, quando eu estou lendo, ... eu faço exatamente o contrário! Eu faço questão de traduzir tudo para ter a certeza que eu tenho o domínio completo daquilo que eu estou lendo, senão você não sabe a nuance exata... Então eu faço esse exercício há muitos anos..."



Mas como ela pode tê-lo ensinado a ler em inglês se ele continua fazendo exatamente o que sempre fez: traduzindo o texto para o português para poder compreendê-lo? Segundo seu próprio testemunho, o Olavo não lê em inglês: ele lê a tradução que faz para o português!
Um esclarecimento de quem ensina inglês há mais de 20 anos: o que o Olavo expõe no vídeo não é um "método", mas a descrição de como ele lida com a deficiência pessoal na leitura de textos em outro idioma. É como um paratleta pensando que é o Felipão e ensinando ao Neymar o que deve fazer para jogar futebol em uma cadeira de rodas. Mas no caso do paratleta a gente até ficaria com dó...




A propósito: não conheço essa professora e não estou julgando o trabalho dela. A única coisa que sei é que ela me parece ser uma pessoa agradabilíssima e que não acredito que ela se restrinja somente a esses procedimentos brevemente descritos nos links, pois eles seriam corretos, porém insuficientes para a devida aprendizagem e melhoria do idioma.  Estou somente apontando a inegável incoerência de seu aluno ao recomendar seu trabalho e, ao mesmo tempo, negar-lhe a eficiência.



sexta-feira, 20 de junho de 2014

Luz no fim do túnel para o conservadorismo tupiniquim

O anti-esquerdismo brasileiro está começando a respirar novos ares. O acesso a informação através da Internet, sobretudo por parte dos de melhor formação intelectual, que têm também facilidade na leitura do inglês e outros idiomas, está desvendando cenários cada vez mais amplos e independentes das excentricidades estapafúrdias daquele que se arvora dono, em todo o território brasileiro, de informações e autores que circulam livremente há décadas na internet. 



terça-feira, 20 de maio de 2014

Teoria da Constipação

Se, segundo o Olavo, o Príncipe Charles é da tariqa do Schuon, que está ligada aos eurasianos, assim como os radicais islâmicos e os globalistas, por que cargas d'água o Príncipe disse isso?

http://extra.globo.com/noticias/mundo/no-canada-principe-charles-compara-putin-hitler-12550823.html

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Um dia no perfil do Olavo no Facebook I

Professor, o meu sobrinho de 8 anos disse que tinha aprendido duas frases em russo na escola: "Setem Brochove?" e "Sea Quinevasse Voce Usavaski?". 

É a invasão eurasiana! O Sr. precisa consagrar a Rússia ao Coração de Maria urgente!



*Essa é uma postagem ficcional com base em idiotas reais.